terça-feira, 13 de novembro de 2012

Castanhas, boa pinga, uma mantinha ...São Martinho

Pois é ... estamos na época do Outono e adoro entrar no mercado e sentir o cheiro da castanha assada, de ver as nozes, as romãs e os marmelos ... dá-me aquela nostalgia de quando era pequena e fazíamos a fogueira do São Martinho. No terreno onde cresci, fazíamos uma fogueira para comer muita castanha juntamente com os amigos da infância que havia no bairro. Éramos poucos (5) mas bons, éramos os cinco da vida airada e bem ... as traquinices que fazíamos... enfim... como dizia, sinto a nostalgia da época.
Claro está que não resisti a comprar uns marmelos para fazer uma boa quantidade de marmelada. As gamboas que plantámos no terreno ainda não contribuíram para o orçamento familiar mas há que ter paciência e aguardar pelo que é bom.

Faço a marmelada assim:

1 kg de Marmelos (depois de descascados deu 840g)
800 g de açúcar (eu uso amarelo, pois acho mais saudável)
90-100 ml de água (temp. ambiente)

Descascam-se os marmelos, retira-se o caroço e cortam-se em pedaços. Num tacho coloca-se o açúcar, a água e os marmelos cortados. Mistura-se tudo bem e deixa-se em lume brando até atingir o ponto de estrada.

E agora perguntam vocês: mas afinal que raio é o ponto estrada! Nunca consigo perceber e acaba sempre por estragar! Pois bem, se não se querem enganar mais nos "pontos" basta comprarem um pesa xaropes (que é uma espécie de termómetro para culinária) e quando atingir os cerca de 110ºC deverá estar pronto (eu faço a olho porque gosto dos doces e compotas mais liquídos). Se quiserem saber mais aqui tem muita informação sobre o assunto.

A forma tradicional de testar o ponto é colocando um pouco do doce num prato e fazer uma "estrada" com a colher. Se o doce não se unir então está no ponto.


Aqui fica o aspeto da marmelada no início da cozedura.


Et voilá
o resultado final:


Para finalizar e para conservar melhor deve cortar-se discos em papel vegetal do tamanho da nossa embalagem de marmelada, embeber em aguardente e colocar por cima da mesma.

Só fiz três embalagens pois tenho bastante compota, doces e geleia, já armazenados.

Ao longo do ano, e na época dos respetivos frutos, conto partilhar convosco  posts daquilo que estou a armazenar e a aproveitar.

Acerca desta matéria recomendo o livro:


Aqui encontram não só receitas para fazer doces e compotas mas também como conservar frutos em calda, branquear legumes e conservá-los, defumar carnes, fazer chutney's, etc.

É um autêntico manual para conservar alimentos e um verdadeiro tesouro para quem pretende aproveitar os alimentos de época para poupar e comer melhor.

Não nos esqueça-mos que:

  • conservamos um legume de época, logo mais barato e saboroso;
  • fazêmo-lo nós, logo sabemos o que levou (sem corantes, nem conservantes) e torna-se mais barato;
           e
  • agradamos a amigos e familiares pois todos se deliciam com algo único!
Experimentem!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A crise...

Pois é.. é um dos temas mais discutidos e opinados por aí  e também um dos mais esgotados.
Há quem a encare como um novo começo, uma oportunidade para melhorar e empreender; há quem tenha perdido o emprego, o pouco que tinha  e... a vontade de viver. Há quem diga que veio para ficar por décadas e sobrevive à espera que passe, e há quem diga que temos que ser optimistas e andar para a frente independentemente dela.
Eu sou daquelas que encaro a vida de frente e vou à luta, mas reconheço que a maneira como olhamos para a vida e as oportunidades que criamos tem muito que ver com a maneira com que fomos educados e com as experiências que moldaram a personalidade da pessoa que somos hoje... Não podemos esperar que alguém que nunca necessitou de prover, pelos seus próprios meios, as suas necessidades, de repente o consiga fazer e, mais ainda, em tempos especialmente difíceis. 
Mas sendo esta a nossa realidade porque não voltarmos às nossas raízes? Porque não falarmos com todas aquelas pessoas queridas (especialmente as mais antigas e, por isso, mais sábias e experientes) sobre como faziam noutros tempos para realizarem as mesmas tarefas que fazemos hoje? Para gerarem mais riqueza na economia doméstica de modo a multiplicarem o orçamento familiar?
Sempre tive gosto pela virtude inerente ao que é tradicional. Genuíno no sabor e no conforto que oferece à alma. Foi isto que motivou uma vontade, depois uma conversa, várias pesquisas, muitas experiências e bons resultados!  Espero que vos sirva de inspiração para se divertirem a poupar e a tornarem-se mais saudáveis optando pelo que é caseiro.